Minha primeira maratona, a maratona de Chicago de 2004 e, sim, terminei. Que bela viagem. Digo viagem porque viajei…. Uma das melhores sensações e experiencias ja vividas e que vem se repetindo a cada ano.
O meu objectivo era de completar a 26,2 milhas: 1) sem andar (parando para beber agua apenas); 2) conseguir chegar ate a temível subida da Roosevelt Road a 400 metros da chegada; 3) não me machucar ao longo do caminho, e 4) lembrar-me de olhar ao redor, e desfrutar da paisagem e multidões. Eu obviamente sabia que haveria corredores que iria terminar no top 100 corredores, e outros que terminariam em mais de seis horas. Eu simplesmente queria ficar no meio destes dois grupos; nem em 6 horas e nem entre os 100 primeiros…..
Minha abordagem para completar a corrida foi simples: "avançar ... não desistir." A citação tirei do poema de Gene Thibeault " The Quitter". Acho tal poema apropriado e cativante. As palavras "avançar não desistir" se parece comigo. Devo ter repetido esta frase um milhão de vezes na minha mente, ao longo do 26/2 milhas.
Eu treinei para minha primeria maratona com um grupo de corredores experientes e com um coach. Eles me ensinaram tudo o que sei hoje tais como escutar o meu proprio corpo,sabendo quando estou treinando demais ou de menos, postura, prestar atenção as batidas cardíacas, como manter o ritmo, etc. Um monte de gente me ajudaram a realizar meu sonho e completar esta primeria maratona. Um trabalho árduo que exige muita motivação, disciplina e determinação para seguir um treino duro. Fui abençoada por haver conhecido este grupo fantástico de pessoas que me motivaram, e que se dedicam ate hoje a motivar e inspirar noviços como um dia fui eu. Agora é a minha vez de retribuir……………!
Não vou mentir, treinar para minha primeira maratona foi difícil. Sofri nos dias de treinos longos, sair da cama quentinha as 5 da manhã até mesmo nos fins de semana quando o que mais queria era dormir até um pouquinho mais tarde. Porém aguentei firme e segui os treinos sem desistir. Ainda me lembro de cada treino, de cada manhã quando saia para correr. O mais difícil era calçar os tenis e sair porta a fora porém uma vez la fora tudo era tão mais fácil.
Para aqueles que me conhecem bem, sabem que eu adoro o verão. Tive sorte que a primeira maratona se realizaria em Outubro o que significa que os treinos começariam bem no iníco do verão. Agradeço a Deus por todas as manhãs em que fui abençoada por poder sair trilhas afora correndo, ouvindo os pássaros cantar e o meu próprio coração batendo. Ou ver o sol nascer e com o mundo despertando para um novo dia em torno de mim. Não importa o que aconteceria durante o resto do dia, aquelas horas em que corria tudo era perfeito e eu estava feliz.
Cada dia de treinos longo ou curtos aprendi que podis puxar o meu corpo mais além dos limites nunca antes sonhado. Uma coisa curiosa neste tipo de esporte é que este perdoa. Cada dia que corria aprendi que este dia ou aquele nunca era o mesmo. A corrida de hoje nunca será a melhor ou mais dificil. Haverá aqueles dias em que você se sente péssima, os momentos em que quer desistir e outros em que você se sente lento e pesado. Mas, amanhã promete ser um novo dia e uma oportunidade para desfrutar melhor os treinos que virão pela frente.
Ok ... a Maratona!
Vou começar com o momentos negativos primeiro. Ah, limpei a casa no sábado de manhã para que eu pudesse descansar no período da tarde, e eu bati o meu joelho na mesa de café - aarrgghh! E dois, ocorreu algo na manha da maratona que parecia mais um pesadelos ... Eu quase perdi o início da maratona. Tivemos um poblema momentaneo de falta de eletricidade enquanto dormia. Com isto o despertador e todos os relógios de casa não funcionava… não tinha como saber a hora certa! Eu estava gritando no topo dos meus pulmões, "What time is it?" Que horas são? Liguei para o operadora 411 perguntando pela hora e fiquei horrorizada. Eu imediatamente me transformei em uma “Maria Madalena” chorando copiosamente e gritando. Então, pobrezinho do Patrick a caminho da cidade faz uma curva errada. Ai então a minha ansiedade explodiu em forma de lágrimas pela segunda vez e gritava "I'm going to miss it!" e gritos de "Você disse que sabia como chegar lá!" De alguma maneira nós terminamos por chegar no início da largada, com quatro minutos de sobra. Lá se foi os planos de me reunir com os amigos antes da largada, tirar fotografias, alongamento, etc eu tinha dormido três horas ao todo, devido a ansiedade, e o dia começou desta forma…. de cara dando tudo errado.
Tive que tentar me acalmar e dizer a mim mesma que tudo iria correr bem. E deu. A temperatura às 8h00 da manhà foi de cerca de 50 graus, com um céu nublado: tempo ideal para correr.
Milha 1 .-9. ... Foram fantásticos. Os expectadores passavam uma energia incrivel. Corredores experientes me disseram muits vezes "não corra demasiado depressa no inicio, não importa que você se sinta bem", e eu tive que me conter e lembrar que correr depressa não economiza tempo ...então, eu decidi manter 10 minutos por milhas durante as primeiras três ou quatro milhas. Então eu aumentei a velocidade até pelo menos uma 9:40 minutos / milha mantendo este ritmo até milhas 15 ou 20 e ver como que eu me sentiria então. Eu me sentia leve e com energia.
Milha 10 ... Eu ainda estava me sentindo muito bem. Novamente, meu objetivo era o de simplesmente terminar, mas porque eu me sentia tão bem comecei a viajar… pensava em coisas bobas e sem sentido como "Eu me pergunto se eu iria terminar e ganhar a minha medalha?" O que eu li sobre isso? Seria ótimo para usa-la no trabalho amanhã, como espécie de “olha eu aqui! A martonista”. Eu estava me sentindo um pouco solitária. Havia 42.000 pessoas correndo, mas eu queria minha equipe, meus amigos.
Milha 11 - 15 ... Eu estva viajando…a milhas de distancia. Cantarolava canções, fingi que era Celine Dion ... falei para mim mesma ... quando terminar vou comer aquele sorvete e pudim de leite que tenho na geladeira. So pensava no que iria desfrutar mais tarde. Uau! A multidão aplaudia, gritavam o meu nome ... isso é ótimo! Ainda bem que escrevi meu nome no peito e nas costas ... os espectadores estão torcendo muito por mim.
Milha 16 ... passei por um corredor com a camisa do Brasil. Gritei “vamos lá Brazuca”. Eu realmente tinha a esperança de ver a alguns amigos, mas não tive esta sorte. Patrick (também conhecido por meu marido, também conhecido como Pat), foi o meu maior fãn. Ele é abençoado com um dom de dizer apenas as palavras certas de incentivo no momento certo. Eu precisava destas palavras para animar o meu espírito e para manter o ritmo.
Milha 18 ... O quê? Heim? Onde estou? Qual foi esse poema novamente? Não me lembro nada sobre Mile 17.
Milha 19 ... Esqueça as a medalha! É provavelmente uma daquela baratinhas as e que apenas vai terminar ficando em uma prateleira colhendo poeira. Eu não quero isso. Eu quero mesmo é que esta corrida termine já. Onde está minha mãe? Preciso da minha mãe. Quero desfrutar das conversa sem pé em cabeça que somente ela eu podemos entender e das quais rimos pra valer. A dor no meu dedão do pé tinha ultrapassado aquela sensação de formigueiro. Eu não posso perder a mesma unha outra vez ... que não é nada bonito! Por que estou fazendo isso? Eu juro que se sentia como se os meus pés estivessem sangrando ... Estou com medo de olhar para baixo para o tenis.
Milha 20 ...o lema da noss equipe é "26,2 milhas ... Nunca uma dúvida." Não sei agora. A dor no meu corpo estava conversando comigo e ALTO. Tenho as pernas fortes, mas elas se sentem como geleia, e eu não podia sentir o meu quadril, calcanhar ... tudo doia e me pedia para parar. Precisava correr mais devagar , mas não caminhar. Se eu caminhasse sabia que não iria correr novamente. Avançar não desistir. Eu corri 20 milhas três vezes durante o nosso treinos então sei que é difícil, mas NOSSA!, isso é realmente difícil. Eu treinei tanto para evitar isto. Mas estou sofrendo estas 20 milhas! não posso lembrar de uma única palavra que eu ouvi, ou li. Eu não posso recordar um pensamento positivo ou do que aprendi durante os teinos. Seria péssimo se eu parar agora. Eu quase esqueci o meu lema de nunca desistir. Lembrei então o que disse meu marido antes de me deixar ali na largada “corra pelo seu objetivo; desfrute” voce pode”. Me emocionou! Eu me senti melhor instantaneamente - pelo menos durante os próximos minutos. Eu queria que ele se sentisse orgulhoso.
Milha 22 ... Acho que não vou poder continuar correndo ... o que estava pensando? Por quanto tempo? Eu quero andar. Onde está o ônibus? Que história eu poderia inventar se eu andasse? olhei para os lados, para outros corredores andando mais esta ainda não era eu…minhas pernas pesavam….a dor no corpo ainda era intenso, já não sentia mais o dedão do pé mais eu continuava correndo. Olhei o meu GPS. Marcava que eu estava correndo a 9:40m/millha. WOW! Muito bom…
Ok ... agora era so manter este ritmo ... manter a cabeça fria, não dá para ser negative agora ...
Milha 23 e 24 ... ouvia a multidão gritando por onde passava, "você está quase lá!" Quero que se calem! Estou muito sensível…esta pessoas não tem ideia do que dizem! O que signinica está "quase lá" exatamente? Quantos mais passos exatamente?
Mile 25 ... reta final, neste ponto, sei que falta pouco mais e ao mesmo tempo penso; Droga! Onde está a linha de chegada?
Mile 26 ... Vejo a faixa “FINISH LINE” e começo a voar…. Opa..me sinto como uma Queniana..la vou eu.. começo a falar comigo mesmo. WOW, ah meu Deus! Obrigado senhor! Por ter me dado a força para acabar sobre os meus próprios pés, e eu ainda estou de pé. Quem diria um ano atrás que eu estaria entre corredores cançados, suados, e se sentido tão poderosa!
Eu aprendi muitas sobre o meu corpo, minha atitude sobre a vida, sobre outras pessoas. Mas, a lição mais importante e lembrar de ser flexível e adaptar mais facilmente a certas situações. Eu quase permiti que o contratempo do despertador ou de não poder encontrar com o grupo como havia planejado arruinar a minha maratona. As coisas nem sempre acontecem do jeito que planejamos.
Agradeço ao meu marido por ser o meu maior fãn e me dar um tremendo apoio, acordando as 5 da manhà para me acompanhar e torcer por mim. Aos meu grupo de corrida por correr comigo em dias que era descanço para alguns.
E para aqueles que ainda não tentaram correr a sua primeira maratona ... lhes digo ... correr é viciante.
Ah! Ganhei a medalha com a qual sonhei no início da corrida, a que todos que terminam recebem! Muito bonita por sinal!hee hee! Ela esta em lugar muito especial na prateleira. ah, e sem poeira! ehehe. Meu orgulho!
Terminei em 4:15. Meu objetivo era simplesmente terminar, mas eu tinha um desejo secreto de terminar em 4:30, por isso estou mais do que satisfeita. Ah, também perdi a tal unha do dedão do pé... que importa....
10 comments:
Ótimo post, como sempre.
Sensacional. Obrigado por dividir.
Sandra,
Esse post vou imprimir para ler no sofá! :D
Estou a brincar!
Muito bom mesmo e em Português!
Abraço e Bons treinos
kshObrigado Sandra. Bonita história que chega a emocionar. A 1ª Maratona deixa-nos sempre marcas inesquecíveis, podemos fazer dezenas delas mas a 1ª é aquela que sempre vamos recordar mais vivamente. Eu já passei por essa experiência (fiz 4)e por mais anos que viva nunca esquecerei a 1ª que fiz. Por isso eu li tudo o que você escreveu e senti de verdade a penosidade que passou a partir da 20ª milha, de louvar o grande espírito de sacrifício que demonstrou só possível numa mente bem trabalhada psicologicamente, para conseguir atravessar aquela linha de meta imaginária que ao longo do percurso nunca largou o seu pensamento. Estas são as melhores, são as que nos fazem chorar pela glória alcançada ao atravessar aquele risco, que ficam na memória, (nestes 5 anos passados não apagou nadinha) estão aí os pormenores todos, viu?
Está já a preparar outro desafio, a experiência que já acumulou vai ajudá-la a enfrentar o próximo desafio e as coisas vão com certeza correr bem melhor.
Um abraço de Portugal.
Oi, deixa eu te fazer uma pergunta: Ai nos EUA a MIZUNO é desconhecida? Por que meu primo teve aí e muitas lojas nem sabiam dessa marca. E outras tinham pocuos modelos. Ele ficou em Denver e depois foi para NY. Resultado, não trouxe um tenis que pedí pra ele.
Abs.
OI Sandra, eu que agradeço pelos seus textos. Seu português está perfeito. Obrigado por dividir conosco.
Oi Sandra, como sempre o texto e em PORTUGUES! está magnífico!!!
Muito bom mesmo, conseguiu descrever cada sensação durante os treinamentos e também durante a Maratona!
Acho que vou até imprimir este post!
Abração!
Paulinho Stone
www.paulinhostone.blogspot.com
Sandrinha, bom dia não sei se a outra msg chegou aí, na hora que postou deu erro.
Como é bom relembrar as nossas corridas e principalmente sendo a 1ª Maratona, que legal esse seu pensamento quando correr em dizer AVANÇAR E NÃO DESISTIR, isso se chama PSICOLOGIA e nos ajuda muito, a partir de hj vou incluir nas minhas corridas AVANÇAR E NÃO DESISTIR.
Como é bom treinar com pessoas experientes, pois sempre nos ajudam e nos motivam muito e isso é fundamental. Também estou de acordo com vc tudo no inicio é difícil mesmo e ainda mais se tratando de treinar para a maratona, mais no inicio tem que ser sacrificante mesmo para que mais tarde nós colhermos os frutos.
Mesmos com todos os percalços que vc teve 1 dia antes da maratona, vc foi uma guerreira e outra coisa nesse dia vc fez 2 maratonas e não uma hein, Eu também iria pirar, nossa ano passado a equipe pela qual eu treino marcou um treino na subida do cristo e coloquei o despertador do celular para me acordar só que não tirei do vibra call e quando eu acordei de manhã e vi o horário que já tinha perdido o horário eu fiquei irado, imagina se isso acontece comigo em uma corrida.
Não lhe disse que vc usou muito a psicologia para lhe ajudar durante o percurso até uma de Celine Dion vc deu, bom eu tenho usado muito a música para me ajudar na corrida também, ligo o mp4 e viajo nas corridas...hehehe.
Realmente é gratificante receber o apoio da família e do publico isso nos ajuda e muito a levantar a nossa moral.
Digo que principalmente na corrida nós temos duas vozes nos falando no ouvido uma é dizendo para nós que não vamos conseguir e a outra nos dando força para continuar.
O APOIO DA FAMILIA NA VIDA DE UM ATLETA É IMPRESCINDIVEL NA VIDA DE UM ATLETA E O SEU MARIDO PATRICK ESTÁ DE PARABÉNS!!!
Que legal que vc dá o seu devido valor as suas conquistas (MEDALHAS), veja no link abaixo que eu postei no meu blog sobre MEDALHAS:
http://jmaratona.blogspot.com/2007/11/o-que-voc-faz-com-sua-medalha-aps.html
O importante é que vc mesmo com os contra tempos que vc teve, vc mandou muito bem nessa maratona os meus parabéns a vc por nos compartilhar com seu relato.
Sobre a sua pergunta no meu blog, realmente os brasileiros tem dado mole mesmo, também com toda a tecnologia que temos hj em dia, muitos estão engordando mesmo, muitos não gostam de cuidar do próprio corpo.
Bons treinos.
Jorge Cerqueira
www.jmaratona.blogspot.com
"Conheci-a" agora após leitura de um post do Jorge com os seus agradecimentos (e em sua honra).
Adorei a descrição da sua 1ª Maratona.
Ainda vou para a minha 1ª Meia e vou de certeza passar por algo semelhante, na devida escala, claro.
O seu português é óptimo, bem como a sua corrida e atitude na vida.
Parabéns e continue a fazer o que
faz, pois está bem assim ;)
Abraço,
Olá querida, conheci seu blog através de um amigo. "Jmaratona"
É sempre bom lembrarmos de nossa primeira corrida, especialmente uma maratona. Infelizmente ainda não participei dos 42k, pois meu primeiro longão foi 30k, logo depois 21k e 50k.
Blog legal!
Sucesso e ótimas corridas!!
Abs!!!
Olá Sandra,
Parabéns pelo relato!!!
Quero um dia fazer minha primeira Maratona... Quem sabe em 2010???
Ainda estou nas Meias Maratonas...
Domingo passado (08/03) participei da minha segunda, sendo que comecei a correr em Julho/08...
Estou muito animado com o mundo das corridas!!!
Vou voltar mais vezes no seu Blog para pegar umas dicas!!!
Abraços,
Joaquim
http://fla.blogdojoca.com/
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